A paz é uma coisa estranha. Ela nos permite cantar enquanto temos as costas doídas pelos açoites e os pés preso ao tronco. É tão estranha que combina com a dor do coração e se sente à vontade no temporal. É o café consumido na placidez da varanda, enquanto o gigante armado e hostil grita ameaças na calçada. Ela resiste às pressões do cotidiano e desafia os decretos da injustiça e do sofrimento, que ordenam a nossa infelicidade. Ela é mais profunda que os pesares e com suavidade absorve a violência.Não é de estranhar, portanto, que a verdadeira paz só possa ser concedida por Cristo. Mas para obtê-la talvez tenhamos de pagar um preço bem alto. E, para mantê-la, vez por outra precisamos fazer um sacrifício. Sim, porque a paz, a despeito do seu potencial, depende de cuidados. Ela pode se deteriorar sob uma goteira ou perder-se no confuso esquema dos relacionamentos e das escolhas — não por deficiência dela, mas por imperícia nossa. Sem dúvida, é possível ter paz sob a goteira e nos labirintos do cotidiano, mas insistir em certas situações talvez seja exercitá-la além do limite. A prudência nos diz que nem sempre é possível ter paz em todas as áreas da vida. E a falta de paz numa delas pode desequilibrar as outras. Talvez esteja chegando a hora de optar pela preservação da minha paz, de me afastar da goteira, de subir no muro e lá de cima tentar descobrir o melhor caminho. Não tenho dúvidas de que o preço vai ser alto, ainda assim um sacrifício preferível a dar o sangue pelo que não vale a pena, a investir numa mina esgotada. A paz vale o preço, compensa o sacrifício. E estou disposto a comprá-la de volta enquanto tenho com que pagar.
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Um comentário:
Meu sacrifício é prazeroso, minha paz...não tem preço, Deus sempre fará o melhor. Ah, paz!
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